Rússia confisca ativos da Nestlé e de três grupos franceses
As autoridades russas confiscaram os negócios e ativos da multinacional suíça Nestlé e de três grupos franceses, uma medida que o Kremlin defendeu nesta sexta-feira (18) como uma resposta justificada contra empresas de países considerados "não amistosos" por seu apoio à Ucrânia.
Um decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin transferiu as operações russas da Nestlé, da rede varejista francesa Auchan e da antiga marca de bricolagem Leroy Merlin, hoje conhecida como Lemana Pro, para uma empresa denominada LEV Management.
A medida, divulgada na noite de quinta-feira, também afeta as subsidiárias russas do grupo francês FM Logistic.
Segundo a publicação Novaya Gazeta Europe, a LEV Management foi criada no final de 2025 e é dirigida por um general do Ministério do Interior russo.
A decisão é parte da resposta de Moscou às sanções econômicas impostas pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
A maioria das empresas ocidentais optou por vender seus negócios na Rússia ou reduzir drasticamente suas operações devido às restrições comerciais e financeiras.
Desde então, as autoridades russas endureceram as condições para a saída do país, exigindo autorizações presidenciais para determinadas transações ou recorrendo diretamente à expropriação de ativos.
A Nestlé afirmou em um comunicado que está comprometida em "tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações".
Para Jean-Philippe Bertschy, analista do banco suíço Vontobel, o impacto financeiro para a Nestlé deve ser limitado, já que a Rússia representa atualmente pouco mais de 1% das vendas globais do grupo, contra quase 2% antes da guerra.
A filial russa da Auchan afirmou nesta sexta-feira que solicitou "esclarecimentos" às autoridades sobre o decreto assinado por Putin.
O grupo está entre os principais varejistas da Rússia, com 241 lojas no país, incluindo 62 hipermercados, e mais de 33.000 funcionários, segundo dados da empresa.
A operação lembra outros casos recentes. Em 2023, a Rússia assumiu o controle dos ativos da francesa Danone no país, que posteriormente foram vendidos a um sobrinho do líder checheno Ramzan Kadyrov.
R.Moore--SFF