Laterais: uma dor de cabeça para Ancelotti na Seleção
Carlo Ancelotti tem uma dor de cabeça na missão de conquistar o hexa para o Brasil na Copa do Mundo de 2026: a escassez de laterais de qualidade, uma posição que, durante décadas, foi a marca registrada Seleção.
O técnico italiano testou 24 jogadores nessa posição desde que assumiu o cargo, há um ano, segundo levantamento do site Globo Esporte.
No último sábado, a exatamente uma semana da estreia contra o Marrocos no Grupo C, Ancelotti perdeu por lesão o jogador que mais se aproximava das características que fizeram do Brasil uma referência nessa faixa do campo: Wesley.
"Todo mundo sabe, falta o que nunca faltou: os laterais. O Brasil tinha laterais fantásticos, agora há um pouco de carência", disse o treinador em entrevista em março.
No entanto, Ancelotti destacou a aparição de um jogador na posição: "O jovem Wesley, que está jogando muito bem na Roma".
Mas o lateral-direito de 22 anos sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda no amistoso contra o Egito (vitória por 2 a 1) no sábado e foi cortado. Ele será o quarto desfalque do Brasil rumo ao Mundial, depois das baixas de Rodrygo, Estêvão e Éder Militão.
- "Característica única" -
Nascido em Açailândia, no Maranhão, Wesley começou a carreira no Tubarão de Santa Catarina e se destacou em sua passagem pelo Flamengo por ser um jogador de força tanto no ataque quanto na defesa, até chamar a atenção da Roma, que o contratou em julho de 2025.
"Ele tem uma característica única no nosso time", disse o capitão Marquinhos, antes do anúncio do corte.
Sua ausência deixa a Seleção sem um lateral com vocação ofensiva, já que Ancelotti convocou o volante Éderson, da Atalanta, para substituí-lo.
O Brasil iniciará no sábado, em East Rutherford, Nova Jersey, sua busca pelo hexa com três laterais de ofício: Douglas Santos e Alex Sandro pela esquerda e Danilo pela direita.
Bremer e Ibañez podem fazer a dupla função na lateral-direita, mas a Seleção perderia força ofensiva. O mesmo vale caso o escolhido para a posição seja Danilo, que costuma ser escalado como zagueiro no Flamengo.
"Eu posso fazer outras coisas, dar o passe limpo, vir por dentro, mas a característica é muito diferente" em relação a Wesley, declarou o ex-jogador de Juventus, Manchester City e Real Madrid.
- Efeito Guardiola -
Analistas atribuem a escassez de jogadores nessa posição à saída precoce de talentos para a Europa, o que os impede de receber o treinamento adequado dentro da escola brasileira.
Ancelotti não é o único treinador da Seleção a ter dores de cabeça com as laterais.
Na Copa de 2022, quando o Brasil foi eliminado pela Croácia nas quartas de final, Tite apostou no zagueiro Éder Militão na direita após a lesão de Danilo. Ele também tinha como opções Bremer e Daniel Alves, então com 39 anos.
Com os problemas físicos de Alex Sandro e Alex Telles, a solução foi recorrer à versatilidade do recuperado Danilo para cobrir o lado esquerdo nas oitavas e nas quartas de final.
Tite foi forçado a reorganizar suas peças, mas no futebol moderno é comum os treinadores escalarem, por convicção, zagueiros ou laterais com o lado invertido para ocuparem essa faixa do campo.
Foi o que fizeram Pep Guardiola, no City, e Mikel Arteta, no Arsenal, campeão inglês nesta temporada.
"Essa posição foi mudando gradualmente devido à influência de treinadores como Guardiola", disse em entrevista à BBC em 2023 o ex-lateral alemão Philipp Lahm, que trabalhou com o técnico catalão no Bayern de Munique.
"Ao defender, trata-se de deixar o mínimo de espaço possível ao adversário, cobrindo e ocupando um grande terreno. Ao atacar, trata-se de aproveitar o espaço, criando o máximo de oportunidades para os companheiros".
X.Roberts--SFF