Anderson reinventa clássicos da Dior com toques punk na Semana de Moda Masculina
Entre clássicos da Dior, toques punk e referências ao inovador estilista francês Paul Poiret, Jonathan Anderson apresentou, nesta quarta-feira (21), sua segunda coleção masculina para a lendária marca, em um dos momentos mais aguardados da Semana de Moda Masculina de Paris.
Na passarela, viram-se capas em brocado, polos com ombreiras brilhantes, vestidos de malha, bermudas jeans e múltiplas versões da jaqueta Bar, um ícone da marca que realça a feminilidade com sua cintura marcada e saia ampla.
O estilista norte-irlandês buscou criar "associações sem complexos", sem gênero definido, que unam o antigo e o novo de forma natural, segundo a nota à imprensa da Dior.
"Não quero normalidade. Quero um personagem um pouco excêntrico, onde certa atitude punk encontre algo mais mágico, e depois um look mais esguio com uma bolsa de malha”, explicou o criador de 41 anos pouco antes do início de seu desfile outono-inverno nos jardins do Museu Rodin.
Algumas das propostas faziam referência direta a Poiret, figura de destaque da moda do início do século XX, conhecido por suas criações fluidas, longe do espartilho tradicional, e suas estampas exóticas.
Dessa inspiração nasce o look que abriu o desfile, com um top brilhante violeta que remete a um vestido dos anos 1920, até as capas brilhantes que recobrem casacos e jaquetas.
A origem dessas referências é quase casual. Anderson descobriu recentemente o nome de Poiret em uma placa no chão em frente à boutique Dior perto da Champs-Élysées.
No dia seguinte, contou Anderson, encontrou "um vestido incrível de Poiret, de 1922", o que o levou a imaginar o que poderia ter sido um encontro entre esse estilista e Christian Dior.
- Clássicos renovados -
Os clássicos da Dior voltaram a aparecer, como a jaqueta Bar, aqui em jeans, tweed, modelos supercurtos ou mais do tipo sobretudo.
O desfile de Anderson era um dos mais esperados da edição. Depois de estrear na Dior com a primeira proposta masculina em junho, que recebeu boas críticas, sua linha feminina em outubro teve comentários menos entusiásticos.
Nesta quarta-feira, entre o público estavam diversas estrelas, como a cantora SZA, os atores Robert Pattinson e Joe Alwyn e o brasileiro Wagner Moura.
Também esteve presente o cineasta italiano Luca Guadagnino, para quem Anderson desenhou o figurino de "Rivais", com Zendaya e Josh O’Connor, e "Queer", com Daniel Craig.
Anderson é considerado um dos prodígios da moda. Ganhou reconhecimento internacional com a marca espanhola Loewe, também do grupo LVMH, onde trabalhou durante uma década e fez história com uma alfaiataria impecável e materiais nobres como couro e metal.
Foi nomeado em junho para substituir Maria Grazia Chiuri como diretor criativo das coleções femininas, pouco depois de ser promovido à Dior Homme.
Tornou-se, assim, o primeiro estilista desde Christian Dior a supervisionar as três linhas da icônica casa, incluindo a alta-costura, cuja primeira coleção será apresentada na próxima semana em Paris.
Nesta quarta-feira, também desfilou a marca francesa 3.Paradis, com uma coleção em tom de homenagem "aos que já não estão neste mundo", nas palavras de seu diretor criativo, Emeric Tchatchoua.
Entre suas propostas, havia várias peças em honra à cantora Amy Winehouse, falecida em 2011: suéteres e jaquetas com seu rosto, e penteados ao seu estilo.
Até 25 de janeiro, 66 marcas revelarão suas novas coleções em 36 desfiles e 30 apresentações.
F.Edwards--SFF