Papa defende prevenção à mudança climática por 'justiça' social
O papa Leão XIV fez um apelo, nesta quinta-feira (24), pela "prevenção" no âmbito da mudança climática, ressaltando que não se trata apenas de um desafio ambiental, mas de uma questão de "justiça" social e "solidariedade entre os povos".
As ondas de calor e as catástrofes naturais, cuja intensidade vem aumentando, "afetam sobretudo os pobres, as comunidades que dispõem de menos recursos para se adaptar e aqueles que dependem diretamente da terra, das florestas e dos oceanos para subsistir", advertiu o pontífice.
"Não se trata apenas de um desafio ambiental, mas, fundamentalmente, de uma questão de justiça, dignidade humana e solidariedade entre os povos e as gerações", avaliou o papa durante uma audiência com membros da Pontifícia Academia das Ciências.
Leão XIV insta regularmente os governos a tomarem decisões mais corajosas diante da mudança climática. "Não podemos responder a estes desafios apenas depois que a catástrofe já tiver ocorrido. Devemos passar da resposta de emergência à prevenção, da vulnerabilidade à preparação e das medidas de curto prazo a uma visão sábia e previdente para a humanidade", acrescentou.
O chefe dos 1,4 bilhão de católicos também destacou a "forte pressão sobre os recursos naturais" exercida pelos atuais sistemas de inteligência artificial (IA), que consomem grandes quantidades de energia e água e "influenciam de maneira significativa as emissões de dióxido de carbono".
No mesmo discurso, voltou a advertir sobre os riscos associados ao desenvolvimento de ferramentas tecnológicas, especialmente os relacionados à IA, uma tecnologia que "pode ser utilizada para fins de vigilância, manipulação e discriminação", considerou.
"As capacidades cibernéticas sofisticadas e as armas autônomas podem, quando desenvolvidas ou utilizadas sem garantias adequadas nem controle humano, gerar novos perigos para a segurança e a paz internacionais", acrescentou, defendendo "uma abordagem responsável e lúcida da ciência".
F.Young--SFF